Antes de mais nada deixo claro nessa publicação que não lembro, tampouco anotei, o nome dos artistas ou das artes. Essa será simplesmente uma pub sobre minhas impressões das obras que mais me chamaram a atenção em ambas as exposições.
Um rápido prelúdio
Eu havia escolhido o horário das 10 da manhã para a visitação no CCBB, entretanto devido às condições de trânsito (para não mencionar a minha lerdeza), me perdi e cheguei atrasada. Por consequência tive que pegar o ingresso no horário das 12 horas e que, coincidentemente, era o horário das visitações guiadas (além disso ainda ganhei umas fotos bem conceituais das obras que vão ficar ótimas no meu quarto. Acho que chegar atrasada às vezes é para um bem maior).
Tendo isso em mente, acredito que o sentido visual e social das obras aqui mencionadas tiveram maior impacto nas minhas escolhas para essa publicação.
CCBB - Brasilidade Pós-Modernismo, 2022
A começar pela exposição do CCBB, Brasilidade Pós-Modernismo, chama a atenção a primeira obra a que temos contato, e a que mais me traz significado.
Em resumo, a obra apresenta uma árvore com longas raízes e um objeto colocado em seu tronco que a impede de crescer. O objeto em questão se trata de uma papeleira que pertencia a um senhor de engenho, que nesse caso era o avô do artista.
O Brasil é um país riquíssimo em cultura e miscigenado; sabemos que essa miscigenação foi construída - pelo menos no início, lá no século XV - principalmente por indígenas que já residiam aqui antes da chegada dos portugueses, pelos Europeus e também por escravos trazidos da África no século início do século XVI, início da produção açucareira no Brasil e surgimento dos Senhores de Engenho. Por isso a árvore, sacou? Ela é nossa Árvore Genealógica.
Em contraste com essa história miscigenada, houve no Brasil, no século XIX, uma política de branqueamento que consistia, basicamente, em queimar os registros de pessoas vindas da África ou com descendência africana. Aí que entra a papeleira; os registros na época eram feitos somente em papel, nada de computadores ou smartphones, isso viria só depois lá no final do século XIX e início do século XX.
Para finalizar esse texto-comentário, os elementos escolhidos pelo artista nessa obra (uma árvore com longas raízes e uma papeleira de um antigo senhor de engenho impedindo seu crescimento), transmitem - pelo menos para mim - uma pergunta crescente: "Como quebramos a papeleira que impede o crescimento da nossa árvore genealógica? É possível quebrá-la ou temos que encontrar outra forma de fazê-la crescer, esticando raízes?". Qualquer que seja a intenção do artista, o intuito da obra certamente é nos fazer olhar para o passado no presente e pensar. Afirmo que ele atingiu o objetivo.
Admito que escolhi essa exposição, inicialmente, pela beleza estética e riqueza de paleta de cores; temos essa tonalidade que acho que posso chamar de Terra-Cota, tons de preto, amarelo, verde e outras mais.
O interessante sobre essa obra é que essas tonalidades foram retiradas de terras, minérios e pedras localizadas pelo Brasil (olha aí um mapa da região ao lado das amostras das cores encontradas), e é utilizada para criar tintas sem produtos tóxicos ou abrasivos. Junto à isso, nos faz pensar sobre as riquezas naturais diversas do Brasil. Afinal, quando se fala da cor da terra, de que cor você a imagina? Marrom, vermelha? A resposta da artista é simples: a terra brasileira é de todas as cores.
Que cor a terra tem?
Por fim, a obra que chamo de 'Ambiguidade' (nome de arte moderna conceitual, né? Mas não é o nome verdadeiro não, esse me foge à memória).
Essa obra é de um artista que teve um relacionamento romântico com uma mulher de descendência indígena (a mesma artista da tapeçaria de cobra na mesma galeria), e representa o espaço. Mas percebe o quão colorido e cheio de linhas e formas ele é? Pois bem, na crença indígena esse espaço contém toda a nossa ancestralidade e culturas e pra afirmar isso, a pintura mostra formas que aparecem e depois se perdem nesse espaço (tenta dar um zoom e achar alguma forma ou desenho).
Eu consigo ver o espaço, figuras que aparecem e depois se perdem e dão lugar a outras, mas ao mesmo tempo vejo cidade e relevo.
Chamo de ambiguidade porque o que é a cidade senão uma representação da nossa ancestralidade? Locais onde figuras e formas aparecem e depois se perdem no espaço urbano, histórias que nos acompanham mesmo que imperceptíveis. Não estaríamos na cidade de hoje se não fosse a cidade de ontem, a Grécia, a Mesopotâmia. O que seriam elas se não nossas ancestrais? Marcadas no tempo e no espaço, figuras que apareceram e se perderam mas que são parte da nossa história.
Para mim, essa obra é ambígua. É espaço e é cidade.
Palácio das Artes - Faz Escuro Mas Eu Canto, 34ª Bienal de São Paulo
Por mais que eu quisesse fazer texto-comentários como os anteriores, não poderia. Durante minha visitação ao Palácio das Artes, não consegui realmente me direcionar pelas galerias, admito tristemente que fiquei perdida. Fiz o registro somente de uma exposição e não sei ao certo o intuito do artista ou minhas interpretações, portanto não tenho comentários a adicionar senão que minha escolha foi guiada puramente pelo aspecto estético. Espero ter a oportunidade de retornar e observar as demais exposições.